Rafael Monteiro Ponte
Currículo lattes:
https://lattes.cnpq.br/9832818534846568
e-mail: rafaelmponte@usp.br
pesquisa:
Arquitetura aplicada a saúde mental: diretrizes para ambientes terapêuticos voltados para pessoas com transtornos mentais comuns (tmc)
Applied Architecture for Mental Health: Guidelines for Therapeutic Environments Targeted at Individuals with Common Mental Disorders (CMD)
iniciação científica
orientação: Profa. Rosaria Ono
Bolsa: PIBIC
inicio: 01/09/2025
Os transtornos mentais comuns (TMC), como ansiedade, depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia e aqueles relacionados ao uso de substâncias psicoativas, têm sido objeto de atenção ao longo da história, com significativas transformações em sua compreensão e tratamento. Durante séculos, essas condições foram interpretadas sob lentes religiosas e morais, resultando em práticas punitivas e desumanas, como confinamentos e exorcismos (Foucault, 1978). A partir do século XIX, com as reformas psiquiátricas conduzidas por Philippe Pinel, iniciou-se um movimento em direção ao cuidado mais ético e compassivo. No século XX, os avanços científicos na psicologia e na medicina permitiram abordagens mais eficazes, como a psicoterapia e os psicofármacos. Atualmente, destaca-se a importância da humanização nos serviços de saúde mental, como propõe a Política Nacional de Humanização (Brasil, 2004), ao valorizar o acolhimento, o vínculo terapêutico e o respeito à singularidade dos sujeitos em sofrimento psíquico.
Nesse contexto, a psicologia ambiental surge como um campo fundamental para compreender a influência dos espaços físicos sobre os estados emocionais e comportamentais dos indivíduos. Ambientes de tratamento que favorecem o conforto, a privacidade, o contato com a natureza e a estética agradável contribuem diretamente para o processo de recuperação e bem-estar de pacientes em sofrimento psíquico (Proshansky, 1970; Ulrich, 1984). Hospitais e instituições de saúde mental que incorporam princípios da psicologia ambiental tendem a promover experiências mais positivas, reduzir níveis de estresse e melhorar a relação entre pacientes e profissionais de saúde. Assim, o espaço físico não é apenas um cenário neutro, mas sim um componente ativo no cuidado em saúde mental, capaz de reforçar práticas terapêuticas mais acolhedoras e eficazes.
Dessa perspectiva, ganha relevância a neuroarquitetura, um campo interdisciplinar que une arquitetura, neurociência e psicologia para projetar ambientes que estimulem sensações de segurança, conforto e bem-estar. A neuroarquitetura busca compreender como estímulos físicos — como luz, som, temperatura, texturas e cores — afetam as funções cognitivas e emocionais do cérebro (Sternberg, 2009; Eberhard, 2009). No tratamento dos transtornos mentais comuns, a aplicação de princípios neuroarquitetônicos pode contribuir para a redução da ansiedade, da desorientação e da angústia, ao mesmo tempo em que favorece estados de atenção plena e relaxamento. Dessa forma, integrar os conhecimentos da neuroarquitetura ao planejamento de espaços de tratamento pode representar uma estratégia inovadora e eficaz na promoção da saúde mental e da qualidade de vida dos usuários desses serviços.
Pessoas com transtornos de saúde mental podem se beneficiar significativamente de ambientes que auxiliem na regulação emocional e no gerenciamento dos sintomas. A arquitetura aliada a neurociência oferece uma abordagem inovadora ao considerar como elementos do ambiente construído podem influenciar o comportamento, as emoções e a fisiologia humana. Esta pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de espaços mais acolhedores e terapêuticos, integrando conhecimentos das áreas de arquitetura, psicologia e neurociência.
Palavras-chave: Neuroarquitetura;Transtornos Mentais Comuns (TMC); Ambientes Terapêuticos; Regulação Emocional; Psicologia Ambiental.